A música e a antiga divisão do trabalho!

“Eu sou músico na OSPA! Toco segundo violino na orquestra a mais de 5 anos”

O relato poderia ser de qualquer segundo violino de qualquer orquestra do mundo. As instituições que têm encontrado dificuldades no Rio Grande do Sul são consideradas o status máximo de um músico especialista. Nesses contextos com uma instrumentação abrangente envolvendo violinos, cello, baixos ( as cordas), sopros e percussão sinfônica, cada músico possui uma função bem estabelecida. O chefe do empreendimento é o maestro, responsável pela boa execução do “todo” e pelos conhecimento de causa dos “grandes mestres” da música de concerto.

A música nessa tradição é um reconstituição histórica de uma obra, na maioria das vezes de origem europeia, que precisa ser executada com respeito a originalidade da peça. Como um registro do som congelado no pentagrama, a partitura é uma ferramente importante nesse processo. Em conservatórios e universidades a notação é transmitida como sinônimo de educação musical e os músicos intérpretes se devotam anos para o domínio das chamadas “bolinhas”.

Mas o qual é a relação com a divisão do trabalho?

O mercado de trabalho tem sofrido profundas transformações. A descentralização das atividades e o compartilhamento da tomada de decisões passa  a ganhar concorrência na reflexão dos gestores. A terceirização de setores, as privatizações e o livre mercado crescem de forma estrondosa, afinal o capital demanda menos custos. Nesse contexto muitos trabalhadores são autônomos, MEIs, Ubers, entregadores, ou mesmo possuem suas pequenas empresas prestando serviços em lugar da assinatura na boa e velha carteira de trabalho.

Essas transformações se chocam com a estrutura da orquestra, com seu chefe, supervisores de naipe, solistas e uma cadeia hierarquicamente bem estruturada. “É preciso conter gastos!” é a resposta de gestores antigos para instituições antigas, e nesse panorama o primeiro a sangrar é o artista, que devotou metade de sua vida para ser um especialista. Ontem eu tinha a oportunidade de ir ao teatro e ter a experiência de assistir uma orquestra, amanhã eu ja não sei mais! Quem vai mudar? A sociedade? As mantenedoras? As orquestras?

Não sei.